O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) seguem avançando nas ações do programa “Construindo Solos Saudáveis”, iniciativa voltada a apoiar cafeicultores na adoção de práticas regenerativas capazes de melhorar as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo.
Na quarta-feira (04), em parceria com a cooperativa Cooxupé, foi realizado o segundo Dia de Campo da safra 2025/26 no Sítio São Bento, localizado no município de Guaxupé, no Sul de Minas. A atividade reuniu técnicos e produtores rurais para apresentar resultados obtidos em uma Unidade Demonstrativa (UD) implantada na propriedade, onde foram cultivadas diferentes espécies de plantas de cobertura recomendadas para o consórcio com o cafeeiro.
Segundo Bianca Machado, analista de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Cecafé, a parceria entre o setor exportador e a Emater-MG contribui para ampliar a disseminação de práticas sustentáveis ao longo da cadeia produtiva do café. “As Unidades Demonstrativas ampliam o acesso dos produtores a estratégias sustentáveis que, além de fortalecerem a resiliência dos sistemas de produção, também contribuem para a manutenção e a diferenciação do café brasileiro nos mercados mais exigentes”, explicou.
O Dia de Campo foi conduzido por Geraldo José Rodrigues, extensionista do programa Certifica Minas Café e responsável pela Unidade Demonstrativa em Guaxupé. Durante a atividade, foram apresentados benefícios do uso de plantas de cobertura no sistema produtivo, como a melhoria da estrutura do solo, redução da compactação, regulação térmica na região das raízes, atração de polinizadores e inimigos naturais de pragas, além do auxílio no controle de nematoides.
Uma das demonstrações realizadas durante o encontro indicou que essas espécies podem produzir entre 48 e 80 toneladas de matéria fresca por hectare, evidenciando elevado potencial de geração de biomassa. Esse volume contribui para o aumento do aporte de carbono no solo e para a construção de sistemas agrícolas mais resilientes.
Proprietário do Sítio São Bento, Pedro Teodoro Oliveira destacou que a Unidade Demonstrativa apresentou vantagens operacionais em comparação ao manejo convencional da lavoura. Segundo ele, a presença das plantas de cobertura na entrelinha do cafeeiro reduziu a necessidade de intervenções frequentes para controle de plantas invasoras. Enquanto a área tradicional exigiu três roçadas no ciclo produtivo, a área com cobertura vegetal não apresentou essa necessidade.
A agricultora Larissa Oliveira, filha do produtor, também ressaltou ganhos observados no manejo da lavoura. “As plantas de cobertura que atingem maior porte proporcionaram mais conforto térmico no momento de trabalhar na lavoura. Além disso, não observamos nenhum tipo de concorrência entre as plantas de cobertura e o cafeeiro”, relatou.
Alinhado à agenda de carbono do Cecafé, o programa “Construindo Solos Saudáveis” vem apresentando resultados relevantes na cafeicultura mineira ao promover, diretamente no campo, práticas de manejo que conciliam desempenho agronômico e sustentabilidade ambiental.
Além de contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa, as técnicas também ajudam a diminuir custos operacionais e fortalecem a rentabilidade e a competitividade do café brasileiro nos mercados internacionais.
Da Redação do Jornal Panorama
Com as informações da Cecafé
Foto: Divulgação/ Emater-MG
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