Às vezes adormece na alma do Poeta
a sua Poesia…
E adormece assim, tão de repente,
sem que ele tenha sequer tempo
para niná-la ao colo docemente…
E ele se espanta,
fitando-a adormecida:
— Será que está doente? Adoeceu?
Ou é cansaço da Vida?…
Em que mundo estará,
neste exato instante,
a navegar ou a sonhar perdida?…
Onde canta ou encanta?…
Onde andará cada verso seu?
No espaço sideral ou abissal?…
Ele sabe que não morreu…
E então passa as noites insones
a vigiar o seu sono
de Deusa a ressonar…
E aguarda ansioso que acorde,
para alegrar o seu dia,
envolvê-lo em Fantasia,
devolver-lhe a Alegria
e fazê-lo de novo sonhar…
Por Iná Brasílio
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