Canta na alma do Poeta
A sinfonia do silêncio do Outono
A Natureza se prepara para o sono
A descansar a Vida…
O vento entoa adágios pelos galhos
E as árvores dançam
Num embalo gostoso…
O vento traz cicios
Assobios de cantigas vegetais
De Ternura escondida
E arrasta em presságios
As folhas já no seu tempo
E as repousa e acalenta
Nos cantinhos do solo-coração
sonolentas…
O Céu azul e cristalino
Anuncia
estranha e exótica alegria:
-É tempo de mantos de neblina
Nas madrugadas silentes e frias
(tempo em que se repensa a Vida)…
E o sol do Outono
diferente
Aquece a alma da gente
(vivida)
E desperta saudades plangentes…
E gira a Vida
E roda o Tempo em encantamento
Na roda-gigante lenta
Que brinca com os Seres todos
Dançando na Rosa-dos-Ventos…
As Estações retornam e se vão
Os Outonos cantam e eternizam
A antiga-nova canção…
E a Vida boceja, repousa, descansa
Em infantil e feliz sono…
E a alma do Poeta não ousa Despertá-la do doce abandono
De seu cochilo manso e feliz
A embalar a Esperança…
Outonal…
Por: Iná Brasílio
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