É manhã outra vez
(e não é de Carnaval)
A Ilusão desperta
de ressaca
ainda vestida de Pierrô
Fantasia amarrotada
e máscara desfeita
denunciando
a verdadeira face
da Paixão
Há os que são fadados à Felicidade
Ele não
Há de consumir sua sina
assim de qualquer jeito
Haverá sempre por dentro
o coração contrafeito
e sempre a cada esquina
seus olhos febris
procurarão o Amor
Mas a Solidão
é quem lhe dará o braço
E num abraço-torpor
passearão inseparáveis
por clubes ruas avenidas
sertões e veredas da Vida
E o sorriso afável
(imprescindível disfarce)
tatuará para sempre
o seu rosto indecifrável
Ignota cicatriz a sangrar ferida
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